Nossa filha Emma, nascida na região do Xingu, apresentou ao seu marido, Matt, os lugares que marcaram a sua infância. Todo lar nesta terra aponta para um Lar muito maior.
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Quando Eu Esqueci Onde Estava
Há alguns dias, tive um sonho que ficou comigo.
Eu estava caminhando pelo centro de Abbotsford com alguns amigos, mostrando a eles os lugares onde cresci. Em certo momento, chegamos a uma antiga loja de departamentos onde minha família comprava de vez em quando quando eu era menino. Lembrei de ir ali com meus pais e meus irmãos para olhar máquinas de lavar, secadoras e móveis. Eram passeios simples, mas envoltos naquela segurança tranquila da infância. Eu nunca me perguntava se pertencia ali. Meus pais estavam comigo. A casa era um lugar seguro.
No sonho, sessenta anos haviam se passado. A loja tinha mudado de dono e se tornado uma lojinha comum de móveis. Mesmo assim, enquanto eu caminhava por ali, as memórias se tornaram tão familiares que, por um momento, esqueci onde estava.
Fiquei cansado.
Olhei para uma das camas em exposição e disse aos meus amigos:
“Dá até vontade de dormir aqui.”
E foi isso que eu fiz.
Deitei, apaguei o abajur ao lado da cama e comecei a pegar no sono.
Pouco depois, o dono da loja se aproximou.
Ele não estava bravo. Não parecia ofendido. Apenas perguntou:
“O que está acontecendo?”
De repente, ainda dentro do sonho, eu acordei.
Claro.
Aquilo não era o meu quarto. Não era a casa dos meus pais. Era a loja de outro homem, em pleno horário comercial. Havia pessoas fazendo compras. O dono não estava defendendo o próprio orgulho. Ele estava apenas cuidando da ordem da sua loja.
Fiquei sem graça diante dos meus amigos. Levantei imediatamente, acendi o abajur de novo, pedi desculpas e saí.
Enquanto caminhava para fora, percebi algo que continuou comigo mesmo depois que acordei.
Por alguns instantes, meu senso de pertencimento havia ultrapassado, silenciosamente, os limites da realidade.
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Nossa casa em Altamira, onde tivemos o privilégio de criar nossas filhas.
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Quando a Familiaridade se Confunde com o Direito
Desde aquele sonho, tenho pensado bastante nele.
Eu não estava tentando fazer nada de errado.
Não queria tirar vantagem de ninguém.
Eu simplesmente me senti tão à vontade por causa das lembranças que, por um momento, esqueci onde realmente estava.
Talvez todos nós façamos isso de vez em quando.
Não apenas com as pessoas.
Não apenas com os lugares.
Mas até com Deus.
Sem perceber, podemos começar a viver como se a vida girasse em torno de nós, e não dEle.
O contrário disso não é a vergonha.
É o despertar.
É lembrar que toda boa dádiva continua sendo uma dádiva.
Até a infância mais feliz é apenas um vislumbre de algo infinitamente maior.
Meus pais me deram um lar maravilhoso.
Mas eles nunca foram o meu destino final.
Desde o começo, estavam apontando para Alguém maior.
O nosso verdadeiro Lar nunca foi um lugar.
Sempre foi o nosso Pai.
Cada lar bonito que encontramos nesta terra desperta em nós a saudade da Casa do Pai.
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Uma conversa com um vizinho perto da nossa casa em Marabá. Às vezes, o sentimento de lar começa simplesmente quando escolhemos estar presentes.
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O Clamor de Davi do Lado de Fora do Santuário
É por isso que o Salmo 28 toca tão profundamente o meu coração.
Davi começa com uma dor que quase todo ser humano conhece.
“Ouve a minha súplica quando clamo por socorro, quando levanto as minhas mãos em direção ao Teu santo santuário.”
Ele está do lado de fora.
E deseja voltar para dentro.
Do lado de fora da paz que um dia conheceu.
Do lado de fora do santuário.
Do lado de fora da proximidade de Deus.
O que mais me chama a atenção é que Davi nunca explica o que aconteceu.
Talvez isso seja de propósito.
Às vezes sabemos exatamente como fomos parar ali.
Outras vezes, sinceramente, não sabemos.
E há momentos em que carregamos feridas que nunca escolhemos.
Seja qual for o caminho que levou Davi até esse lugar, ele se recusa a permanecer ali.
Ele ergue as mãos em direção ao santuário e clama por misericórdia.
No Salmo 28, Davi simplesmente clama:
“Se Tu não me responderes, estou perdido.”
Essa honestidade é linda.
Ele não tenta se justificar.
Não negocia com Deus.
Apenas levanta as mãos vazias.
Ao longo das Escrituras, mãos abertas se tornam um retrato silencioso da fé.
Mãos que já não tentam controlar.
Mãos prontas para receber.
Muitas vezes, a fé começa quando deixamos de tentar controlar tudo e passamos a estender as mãos para Deus.
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Nossos amigos em Portugal prepararam sua casa para receber pessoas, compartilhar refeições e anunciar as Boas-Novas.
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Uma História Contada Vez Após Vez
Enquanto eu orava a partir deste salmo, comecei a perceber ecos familiares.
Adão e Eva se viram do lado de fora do jardim. Caim estava “à porta”, mas escolheu construir sua própria cidade em vez de voltar para Deus. Israel adorou o bezerro de ouro em vez de esperar por Deus no monte Sinai. Davi clama do lado de fora do santuário. O filho pródigo se encontra longe de casa.
Vez após vez, a história se repete.
Quando as pessoas se perdem, muitas começam a construir substitutos para o Éden.
Construímos vidas que prometem segurança.
Construímos reputações.
Construímos riquezas.
Construímos conforto.
Construímos até religião.
Qualquer coisa que nos ajude a sentir em casa novamente.
Davi escolhe outro caminho.
Ele não constrói.
Ele clama.
Ele espera.
Ele confia que o Pai continua recebendo os filhos que se voltam para Ele.
Podemos passar a vida construindo substitutos para o lar, ou podemos pedir que Deus nos conduza de volta para casa.
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Enquanto estávamos em Portugal no início deste ano, encontramos uma placa de rua que nos fez sorrir e lembrar de casa.
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O Momento em que Tudo Muda
Então, quase de repente, o salmo muda de tom.
“Bendito seja o Senhor, porque ouviu a voz das minhas súplicas.”
Não somos informados de como Davi soube.
Apenas sabemos que ele soube.
E então vem uma das minhas frases favoritas nos Salmos:
“O Senhor é a minha força e o meu escudo; o meu coração confia nEle, e sou socorrido.”
Observe a ordem.
Deus ouve.
Davi confia.
Davi é socorrido.
Seu coração transborda de alegria.
A própria confiança parece despertar como um presente de Deus.
A criança que temia estar do lado de fora descobre, de repente, que foi recebida de volta em casa.
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Deanna aprecia o pôr do sol em nossa casa, em Abbotsford. Alguns momentos também nos fazem sentir em casa.
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Da Minha Força para a Força Deles
Então vem a grande surpresa.
Davi começa dizendo:
“O Senhor é a minha força.”
Poucas linhas depois, ele declara:
“O Senhor é a força deles.”
Uma única palavra revela o que a graça fez no coração de Davi.
O homem que entrou clamando por misericórdia agora começa a interceder pelos outros.
Quem acabou de ser carregado por Deus passa a pedir que Deus carregue também o Seu povo.
“Salva o Teu povo e abençoa a Tua herança; sê o Pastor deles e sustenta-os para sempre.”
Talvez esta seja uma das imagens mais simples e mais bonitas da maturidade espiritual em toda a Bíblia.
Quem sabe o que é ser carregado por Deus começa a pedir que Ele carregue outras pessoas também.
Nós nunca nos tornamos o Pastor.
Aprendemos apenas a confiar nEle as pessoas que amamos.
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A História Termina Onde Começou
A Bíblia começa com a humanidade deixando um jardim.
E termina com uma cidade.
Mas não é uma cidade construída por nós.
É a cidade que Deus preparou.
Seus portões nunca se fecham.
Seu rio nunca deixa de correr.
A Árvore da Vida produz fruto todos os meses.
Suas folhas são para a cura das nações.
João também nos diz que os reis da terra trazem para essa cidade os seus tesouros. Ele não explica exatamente o que isso significa. E talvez seja de propósito.
Não consigo deixar de pensar que alguns dos maiores tesouros que levaremos à presença de Deus serão as pessoas que aprendemos a amar ao longo do caminho.
A história que começou com a humanidade do lado de fora do jardim termina com a Casa do Pai de portas abertas.
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Mais Um Passo em Direção ao Lar
Talvez hoje você se sinta como Davi.
Ou talvez se sinta um pouco como eu naquele sonho.
Você percebe que alguma coisa não está bem.
Não consegue explicar exatamente o porquê.
Mas sabe que o seu coração sente saudades de casa.
Seja qual for o caminho que o trouxe até aqui, não construa a sua própria versão do Éden.
A Casa do Pai está mais perto do que imaginamos.
Em vez disso, levante as mãos.
O Pai continua ouvindo aqueles que clamam em direção ao Seu santuário.
E, quando Ele o recebe de volta — porque o coração do Pai é sempre acolher Seus filhos —, você pode descobrir que o maior milagre não é apenas encontrar paz novamente.
É perceber que o seu coração começa a orar de maneira diferente.
“O Senhor é a minha força…”
passa a ser:
“O Senhor é a força deles.”
Quem acabou de ser carregado por Deus logo começa a pedir que o Bom Pastor carregue outras pessoas também.
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As meninas apresentam à Lucy e ao Paul o sabor de um doce… e das lembranças especiais que fazem um lar.
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Uma Oração
Pai,
Obrigado porque o Senhor nunca deixou de procurar os Seus filhos.
Quando nos desviarmos, desperta-nos com ternura.
Quando a familiaridade nos impedir de enxergar a realidade, abre novamente os nossos olhos.
Guarda-nos de construir substitutos para o lar que somente o Senhor pode nos dar.
Ensina-nos a erguer as mãos vazias, em vez de tentar controlar tudo.
Quer tenhamos nos afastado por nossas próprias escolhas, quer estejamos carregando feridas que nunca escolhemos, quer simplesmente não entendamos como fomos parar aqui, leva-nos de volta para casa pela misericórdia de Jesus.
E, quando experimentarmos a alegria de sermos carregados pelo Senhor, ensina-nos a orar como Davi: não apenas por nós mesmos, mas também pelo Teu povo.